Ex-cunhada de Maduro deixa o comando do Banco Central da Venezuela

Segundo Delcy Rodríguez, atual presidente venezuelana, Laura Guerra seguirá atuando em outras funções dentro do governo

Alterações recentes no comando do Banco Central da Venezuela (BCV) refletem a atual fase de transição política e econômica no país depois da saída de Nicolás Maduro do poder. Laura Guerra, ex-cunhada do ex-presidente, pediu demissão da presidência da autarquia logo depois do anúncio, pelos Estados Unidos, do relaxamento de sanções econômicas sobre o BCV.

Segundo Delcy Rodríguez, atual presidente venezuelana, Guerra seguirá atuando em outras funções dentro do governo. “Recebi uma comunicação da licenciada, a doutora Laura Guerra, e ela apresentou sua renúncia ao Banco Central da Venezuela, continuará com outras atividades no âmbito do governo”, afirmou Rodríguez em declaração à emissora estatal.

Relaxamento das sanções e nova relação com organismos internacionais

Desde 2019, o Tesouro norte-americano havia imposto sanções ao BCV, dificultando o acesso da Venezuela a moedas estrangeiras e afastando o país do sistema financeiro internacional. Nesta semana, uma licença emitida pelo Escritório de Controle de Ativos do Tesouro dos EUA permitiu operações bancárias, transferências e empréstimos no BCV e em três bancos públicos.

O mesmo dia marcou também o anúncio da retomada dos laços entre Venezuela, Fundo Monetário Internacional e Banco Mundial, que estavam suspensos desde 2019. Depois da saída de Laura Guerra, quem assume a presidência do BCV é o ex-vice-presidente Luis Pérez.

Impacto no mercado cambial e contexto político

Especialistas afirmam que o relaxamento das sanções deve provocar alterações no mercado de câmbio, que sofre com a falta de divisas no sistema bancário oficial. Muitos venezuelanos têm recorrido a criptomoedas ou usam dinheiro em espécie para adquirir dólares, movimento que fortaleceu o mercado paralelo, onde a moeda norte-americana chega a custar até 30% a mais que o valor fixado pelo BCV.

A diferença de cotação é apontada como fator central para a inflação, que chegou a 475% em 2025. A saída de Guerra do BCV ocorre em um contexto de reestruturação política: Delcy Rodríguez assumiu o comando do país depois da destituição de Nicolás Maduro, em operação militar dos EUA realizada no início de janeiro, e governa sob forte pressão de Washington, que afirma controlar o setor petrolífero venezuelano.

*Fonte: Revista Oeste