MC Ryan SP diz à PF que fatura mais de R$ 1 milhão por mês 

Investigação indica rede de lavagem ligada a apostas ilegais e movimentação de R$ 1,6 bilhão

O funkeiro MC Ryan SP declarou à Polícia Federal (PF) renda mensal de cerca de R$ 1,5 milhão. Em depoimento, ele negou participação em crimes financeiros no inquérito que apura um esquema de lavagem de dinheiro de R$ 1,6 bilhão ligado a apostas e rifas ilegais. 

Segundo o cantor, suas receitas vêm de patrocínios de casas de apostas legalizadas, shows, royalties de plataformas digitais e empresas próprias no setor musical. Ele afirmou não ter conhecimento de movimentações em espécie nem criptoativos que envolvam seus negócios. 

Na quinta-feira 23, a Justiça autorizou a prisão preventiva de Ryan, MC Poze do Rodo e de outros investigados na Operação Narcofluxo. A decisão atendeu a um pedido da PF e ocorreu horas depois de o Superior Tribunal de Justiça conceder habeas corpus aos suspeitos. 

A investigação indica a atuação de uma organização estruturada para lavar dinheiro de apostas e rifas ilegais. Do total movimentado, cerca de R$ 790 milhões teriam origem em valores de apostadores, repasses de organizações criminosas e depósitos sem identificação.

MC Ryan diz que bens de alto valor estão regularizados 

Segundo o jornal Folha de S.Paulo, Ryan, durante o interrogatório, declarou possuir imóveis de alto valor, como a residência onde mora, apartamentos e uma chácara em Goiás, além de veículos de luxo. Ele afirmou que todos os bens estão declarados no Imposto de Renda. 

Sobre transferências de menor valor, o funkeiro alegou que repassa quantias a colaboradores para pagamento de despesas de produção, como contratação de modelos e custos de gravação. Segundo ele, esses repasses funcionam como reembolso.

A PF revelou ainda grande volume de microtransações via Pix, mas o cantor argumentou que esses valores podem estar ligados a publicidade de apostas e a transferências feitas por fãs. 

O depoimento menciona o uso de contas de terceiros. Ryan disse que utiliza contas de colaboradores por limitações operacionais bancárias e que realiza compensações posteriores. Ele negou qualquer tentativa de ocultar recursos.

O cantor afirmou não se recordar de diversas empresas citadas no inquérito, mas admitiu que algumas podem estar relacionadas a contratos de publicidade, principalmente com casas de apostas.

Ao comentar operações financeiras mencionadas no inquérito, o cantor afirmou que os valores têm origem em atividades profissionais. Ele mencionou, como exemplo, a entrada de R$ 4,4 milhões decorrentes da venda de um imóvel, valor que, segundo ele, consta na sua prestação à Receita Federal.

*Fonte: Revista Oeste