Assunto voltou à tona nesta semana, durante reunião de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo com o governo Trump
Integrantes do entorno político do senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), levaram ao governo dos Estados Unidos a necessidade da retomada da aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com o empresário Paulo Figueiredo, que esteve à frente das articulações para aproximar Flávio do governo norte-americano, as conversas ocorreram durante reuniões realizadas nesta semana em Washington. O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vive nos EUA desde fevereiro de 2025, participou das tratativas.
As conversas avançaram no mesmo momento em que os EUA decidiram classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Washington anunciou a decisão nesta quinta-feira, 28.
Na última terça-feira, 26, os aliados de Flávio estiveram na Casa Branca. No dia seguinte, participaram de reuniões com o secretário de Estado, Marco Rubio, com o secretário-adjunto Christopher Landau e com integrantes da diplomacia norte-americana.
A possível retomada da Lei Magnitsky
De acordo com Figueiredo, Flávio não participou das tratativas sobre sanções contra Moraes. Em conversa com Oeste, o empresário salientou que a estrutura jurídica para uma eventual retomada da Lei Magnitsky já está na mesa do governo norte-americano.
“Os efeitos da designação do Alexandre foram apenas suspensos a pedido do presidente Lula, mas toda a designação em si permanece e toda a documentação legal está pronta”, declarou o empresário. “Há boa vontade da administração também nesta direção. Basta apenas que o presidente Trump lave as mãos. Mostramos que Lula não entregou nada do que prometeu e que difama Trump a cada oportunidade que tem. Estou otimista sobre nossas chances de sucesso.”
A Lei Magnitsky permite aos EUA aplicarem restrições financeiras e migratórias contra estrangeiros acusados de corrupção ou violações de direitos humanos.
Primeiro Comando da Capital and Comando Vermelho are two of the most violent criminal organizations in Brazil. Their reach extends throughout our region and into our country.
— Secretary Marco Rubio (@SecRubio) May 28, 2026
Today, I designated these organizations as Foreign Terrorist Organizations and Specially Designated…
Moraes e a mulher, Viviane Barci de Moraes, chegaram a ser alvo de restrições anteriormente. Em dezembro do ano passado, o governo norte-americano retirou as medidas depois de negociações diplomáticas com o governo Lula.
Na época, Oeste informou que a revogação das sanções era discutida dentro de uma rodada mais ampla de conversas entre Washington e Brasília. Entre os temas mencionados nas negociações estavam cooperação contra o crime organizado, atuação de plataformas digitais, exploração de terras raras e interesses estratégicos dos EUA na América do Sul.
Governo Lula reage à aproximação entre Flávio e Trump
O governo Lula reagiu mal à decisão norte-americana de classificar as facções brasileiras como organizações terroristas. Em nota, o assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim, afirmou que o combate ao crime organizado exige cooperação internacional, mas rejeitou qualquer possibilidade de intervenção estrangeira no Brasil.
“Crime organizado é um mal que tem que ser combatido”, afirmou. “Cooperação internacional é bem-vinda, especialmente em temas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas. Pretexto para intervenção, é inaceitável.”
A classificação anunciada por Washington, contudo, não autoriza automaticamente ações militares em território brasileiro. O principal efeito da medida está na ampliação de instrumentos financeiros, econômicos e de inteligência disponíveis aos EUA.
Com o enquadramento do PCC e do Comando Vermelho como Foreign Terrorist Organizations (FTOs) e Specially Designated Global Terrorists (SDGTs), o governo norte-americano passa a poder bloquear ativos, restringir transações em dólar, ampliar investigações internacionais e pressionar instituições financeiras com suspeita de ligação às facções.
As medidas têm base na seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade dos EUA e na Ordem Executiva 13224, criada depois dos atentados de 11 de setembro de 2001.
*Fonte: Revista Oeste