Em evento realizado em Goiânia, o presidente chamou os opositores de ‘vendilhões da pátria’ e cometeu gafe sobre a execução de Tiradentes
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sugeriu, nesta terça-feira, 2, o enforcamento do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e do senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ao comentar o avanço das tensões comerciais entre o Brasil e os Estados Unidos. Nesta tarde, o petista participou da cerimônia de entrega do Hospital Universitário da Universidade Federal de Catalão, em Goiás, em meio à escalada da disputa política em torno das possíveis sobretaxas anunciadas pelo governo norte-americano.
O petista subiu o tom ao comparar o caso à Inconfidência Mineira. “São traidores”, disse Lula, referindo-se aos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Por menos do que isso, Joaquim Silvério dos Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado. O que merecem os traidores da pátria?”
Lula cometeu um erro crasso de história, pois o delator de Tiradentes nunca foi executado. Pelo contrário, Joaquim Silvério dos Reis recebeu uma pensão da Coroa Portuguesa, mudou-se para o Maranhão e morreu de causas naturais em 1819. Quem acabou enforcado e esquartejado pelos colonizadores em 1792 foi Tiradentes.

Durante o pronunciamento desta terça-feira, Lula citou publicações do ano passado para atacar os opositores. Ele criticou, por exemplo, o posicioamento da bancada de direita em relação à política externa da Casa Branca.
“Os meninos do Bolsonaro, um deles, o que é candidato a presidente, disse, no dia 9 de julho de 2025, no dia que o Trump taxou o Brasil em 50%: ‘Obrigado, Trump. Faça o Brasil livre de novo’”, lembrou Lula. “Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser pior do que ele. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras.”
Aliados do governo federal utilizam o episódio para acusar os congressistas de direita de estimularem as sanções econômicas norte-americanas.
Flávio Bolsonaro detalha reunião na Casa Branca
Em entrevista concedida à rádio Itatiaia antes do discurso de Lula, Flávio explicou sua agenda em Washington. O parlamentar fluminense conversou diretamente com o presidente Donald Trump na Casa Branca na semana anterior. O congressista garantiu que defendeu os interesses econômicos nacionais no encontro privado.
“Pedi expressamente: ‘Não taxem as empresas brasileiras’”, destacou o senador. “Em 2027, vocês vão ter um governo que vai sentar aqui com vocês, vai negociar de igual para igual. O nosso agro alimenta o mundo, e não é justo taxar as nossas empresas. Temos de valorizar a nossa tecnologia, o nosso Pix, o nosso etanol.”
A viagem do senador aos Estados Unidos ocorreu poucos dias antes de o governo norte-americano classificar as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho como organizações terroristas.
O Pix e os próximos passos do relatório dos EUA
A nova proposta de sobretaxa elaborada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos apresenta críticas ao Banco Central do Brasil. O documento norte-americano questiona, entre outros pontos, o Pix. Os técnicos dos EUA submeterão o relatório a uma série de audiências públicas. A primeira sessão ocorrerá em 6 de julho.
A decisão final sobre a imposição da sobretaxa caberá exclusivamente a Trump. O governo dos Estados Unidos usa como base jurídica a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, que autoriza o presidente norte-americano a regular o comércio exterior em situações consideradas emergenciais. No primeiro semestre de 2025, a Casa Branca já havia aplicado tarifas de 40% sobre produtos de países como Brasil, China, México e Canadá.
*Fonte: Revista Oeste