Teleférico, símbolo do PAC de 2008, está parado há 10 anos; moradores reclamam de falta de escuta e projetos inacabados
O governo federal anunciou, em junho, um novo pacote de obras para o Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, no âmbito do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Os investimentos previstos são de R$ 210 milhões, dos quais R$ 200 milhões virão do governo federal e R$ 10 milhões da prefeitura como contrapartida.
As obras, no entanto, acontecerão em áreas onde o antigo PAC, lançado em 2008 no segundo mandato do presidente Lula, já havia atuado, segundo informações do jornal Folha de S.Paulo. Na época, o programa destinou R$ 493 milhões ao Alemão, o maior investimento entre as comunidades cariocas contempladas. O governo usou o dinheiro para construir um teleférico, creches, unidades de saúde e um centro comercial, entre outros equipamentos.
O teleférico, que se tornou o símbolo daquele PAC, está sem funcionar há 10 anos. O projeto de recuperação do sistema de transporte, assinado em 2024 pelo então governador Cláudio Castro (PL), segue atrasado.
A empreiteira deixou incompletas a rede de saneamento e a pavimentação de ruas. A população abandonou parte dos espaços de lazer, como as praças. Os próprios moradores tiveram que reformar outros equipamentos, como as quadras de futebol.
A Avenida Central do Complexo do Alemão, uma ladeira de 700 metros que liga Ramos ao topo do morro, guarda marcas da incompletude. O governo demoliu casas para a passagem de equipamentos pesados durante a construção de uma das estações do teleférico. Operários concretaram o terreno onde ficavam os imóveis, que permanece vazio.
PAC anterior foi alvo de denúncias de corrupção
Um consórcio formado por Delta, OAS e a antiga Odebrecht (atual Novonor) executou as obras do primeiro PAC no Alemão. Investigações associaram as empreiteiras a denúncias de corrupção posteriormente.
O ex-governador Sérgio Cabral foi condenado em 2018 por formação de cartel em obras em favelas e na reforma do Maracanã. Indícios de cartel nas obras do PAC foram revelados em 2010 pela Folha de S.Paulo. Em delações, empresários afirmaram que houve entendimento prévio entre as empresas, com pagamentos ao então governador.
Recuperação do teleférico enfrenta novos atrasos
A gestão do governador interino Ricardo Couto afirmou, em nota, que a licitação para definir a empresa que vai operar o teleférico está em tratativas. O governo não deu prazo para o retorno do funcionamento.
Uma das empresas contratadas para a recuperação do sistema solicitou, em junho, a prorrogação do prazo, alegando falta de pagamento. “Caso as medições tivessem sido regularmente liquidadas nos prazos contratuais”, diz a carta, a empresa “manteria as condições originalmente previstas de mobilização de equipes, aquisição de materiais, contratação de fornecedores.”
O governo do Estado afirmou que faz a instalação de elevadores e escadas rolantes nas seis estações e substitui peças do sistema de transporte.
O PAC Periferia Viva, que inclui as obras no Alemão, também contempla outras comunidades do Rio, como Jardim Maravilha, Rocinha e Maré. O Ministério das Cidades selecionou 66 territórios em 21 estados para urbanização em favelas no escopo do programa.
*Fonte: Revista Oeste