Trump assina acordo nuclear com a Arábia Saudita

A expectativa é de que a parceria entre os países dure 30 anos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou o acordo que permite o desenvolvimento de um programa nuclear na Arábia Saudita. A partir de agora, o país comandado pelo príncipe-herdeiro Mohammed bin Salman Al Saud poderá enriquecer urânio em conjunto com empresas norte-americanas.

De acordo com a Associated Press, a parceria deve ser anunciada pelos dois governos a a qualquer momento. A previsão é de que o acordo, que ainda será submetido ao Congresso dos EUA, dure 30 anos.

A estratégia norte-americana com o projeto é conquistar mais protagonismo no desenvolvimento da infraestrutura nuclear saudita, enquanto afasta outros concorrentes estrangeiros.

A negociação conhecida como “Acordo 123” é uma referência à seção 123 da Lei de Energia Atômica dos EUA de 1954. O trecho permite que empresas norte-americanas e a Casa Branca trabalhem com entidades na Arábia Saudita para desenvolver uma indústria nuclear civil.

Príncipe Mohammed bin Salman | Foto: Reprodução/Shutterstock

Depois de acionada a seção 123, o Congresso dos EUA tem 90 dias para analisar o acordo. Diferentemente de projetos de lei comuns, o Parlamento norte-americano precisa de uma maioria de dois terços para derrubar um veto presidencial.

Nesse período de três meses de análise, o Poder Legislativo pode se posicionar contrário ao acordo se não houver o Protocolo Adicional da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O documento permite uma supervisão mais contundente do projeto nuclear, além de inspeções surpresas em locais não declarados.

Trump, Arábia Saudita e o Irã

Em 2018, o príncipe Mohammed bin Salman Al Saud acusou o então aiatolá Ali Khamenei, do Irã, de ser o “Hitler do Oriente Médio”. O saudita afirmou que o país não precisaria de uma bomba atômica, mas que providenciaria uma se o Irã tivesse acesso à uma ogiva nuclear.

“Ele [Khamenei] quer expandir”, afirmou o líder saudita em entrevista à CBS News. “Quer criar o seu próprio projeto no Oriente Médio, assim como Hitler planejava na sua época. Muitos países ao redor do mundo e na Europa não perceberam quão perigoso Hitler era até tudo acontecer. Não quero ver os mesmos eventos acontecendo no Oriente Médio.”

Em junho de 2025, Trump aprovou a operação Midnight Hammer, que desmantelou centros de enriquecimento de urânio no Irã. A ofensiva ocorreu depois que a própria AIEA apontou estoques iranianos capazes de desenvolver armas nucleares.

Em fevereiro de 2026, os Estados Unidos conduziram um ataque que eliminou o aiatolá Khamenei. Desde então, os países travam uma guerra bélica, logística e comercial pelo não desenvolvimento nuclear do Irã, atualmente sob comando de uma radical teocracia.

*Fonte: Revista Oeste