Indicador de qualidade da educação básica sugere que maior período não significa mais aprendizado para os estudantes
As escolas de tempo integral, onde os alunos passam mais horas por dia estudando, voltaram a registrar queda na distância comparativa às escolas em que os estudantes permanecem em turno único.
Divulgados nesta semana, os dados fazem parte de um estudo vinculado ao Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, o Ideb, principal indicador da qualidade da educação no Brasil.
Índice analisa notas e taxas de aprovação nas escolas
Criado pelo governo federal para medir a qualidade do ensino nas escolas públicas e privadas, o Ideb considera o aprendizado dos alunos em provas de português e matemática. Além disso, observa a taxa de aprovação dos estudantes.
Os dados analisados mostram que, em 2023, a diferença entre as escolas de tempo integral e as escolas de turno parcial ficou menor do que em anos anteriores. Isso significa que as escolas integrais ainda têm desempenho superior, mas a distância entre elas e as demais está diminuindo.
De acordo com o estudo, a vantagem caiu. Especialistas atribuem o cenário a uma possível falta de qualidade na gestão educacional e ao crescimento rápido do número de escolas de tempo integral.
A justificativa é de que algumas redes de ensino têm dificuldades para contratar professores, melhorar a estrutura das escolas e oferecer atividades de qualidade durante todo o dia. Com isso, apenas aumentar o tempo de permanência do aluno na escola nem sempre garante um aprendizado melhor.
Mais tempo nem sempre significa mais aprendizado
Pesquisadores lembram que o ensino em tempo integral costuma trazer benefícios importantes, como maior contato do aluno com professores, reforço escolar, atividades esportivas, culturais e de apoio ao estudo. Porém, esses resultados dependem da qualidade do ensino oferecido.
O estudo conclui que ampliar a jornada escolar pode ser positivo, mas é preciso investir também em professores, material didático, infraestrutura e organização das escolas para que o período realmente impacte na absorção de conhecimento.
*Fonte: Revista Oeste