“Meu crime foi dizer no WhatsApp que iria à manifestação”, afirma pré-candidata condenada pelo STF por 8 de janeiro

A empresária e pré-candidata a deputada federal Mirtes Eni Leitzke Grotta, conhecida como “Mirtes da Transterra”, afirmou que não participou dos atos ocorridos na Praça dos Três Poderes no dia 8 de janeiro de 2023 e que sua condenação pelo Supremo Tribunal Federal se baseou apenas em mensagens enviadas em um grupo de WhatsApp.

A declaração foi dada durante entrevista em Cuiabá, na qual a empresária comentou a decisão da Corte que a condenou a um ano de prisão, além de estabelecer uma multa de R$ 5 milhões. Segundo ela, essa penalidade deverá ser dividida entre ela e mais de 50 pessoas.

Mirtes confirmou que esteve em manifestações realizadas em Sinop, cidade onde mantém sua empresa. No entanto, afirmou que participava apenas de momentos específicos, como quando era executado o hino nacional ou durante orações.

De acordo com a pré-candidata, sua presença nos atos ocorria no fim da tarde e a curta distância de seu local de trabalho. Ela disse que costumava ir até o ponto de manifestação para participar de momentos de oração, como o Pai Nosso.

Durante a entrevista, Mirtes afirmou que as mensagens enviadas em um grupo de WhatsApp informando que iria às manifestações foram utilizadas como base para sua condenação.

“Essa é uma condenação sobre o 8 de janeiro, que eu nem estava lá. O que me condenou foi uma mensagem de WhatsApp num grupo, onde estava o meu nome, porque eu frequentava as manifestações em Sinop. Eu ia no final da tarde, porque ficava a cerca de 200 metros da minha empresa, e participava na hora do hino nacional e da oração do Pai Nosso”, disse.

Ela afirmou ainda que a decisão estabeleceu uma pena de um ano de prisão, que pode ser convertida em prestação de serviços à comunidade. Segundo Mirtes, a sentença prevê o cumprimento de 225 horas de serviço social.

Além disso, a pré-candidata informou que recebeu outras determinações judiciais, como a proibição de utilizar redes sociais até o cumprimento da pena e a obrigatoriedade de participar de um curso sobre democracia e Estado Democrático de Direito.

Apesar da condenação, Mirtes ressaltou que não ficou inelegível e que pretende manter seu projeto político para disputar uma vaga na Câmara Federal nas próximas eleições.

Ela também afirmou que ainda possui prazo para apresentar recurso contra a decisão. No entanto, destacou que a condenação foi proferida pelo Supremo Tribunal Federal, a instância máxima do Judiciário brasileiro.

Durante a entrevista, Mirtes reforçou que não participou da invasão ou depredação de prédios públicos em Brasília e que não teve envolvimento financeiro ou logístico com os atos.

“Eu não financiei, eu não organizei, eu não participei da invasão. Foi apenas uma mensagem de WhatsApp dizendo que eu estava indo para a manifestação”, declarou.