Paquistão entrega plano de paz dos EUA ao Irã

Autoridades indicam possível encontro em Islamabad; país busca protagonismo e mantém interlocução com ambos os lados

O Paquistão voltou a procurar o Irã depois de entregar uma proposta dos Estados Unidos para reduzir a escalada da guerra no Golfo e ainda aguarda uma resposta formal de Teerã, afirmou um integrante do alto escalão de segurança paquistanês à agência Reuters nesta quarta-feira, 25.

Mais cedo, uma autoridade iraniana confirmou que o país recebeu, por meio de Islamabad, um plano norte-americano e revelou que eventuais negociações poderiam ocorrer no Paquistão ou na Turquia.

As declarações estão entre os poucos sinais de abertura de Teerã à via diplomática, apesar de o governo iraniano sustentar publicamente que não há conversas em andamento e descartar acordos com a administração do presidente Donald Trump.

O presidente dos EUA, Donald Trump, em entrevista a jornalistas na Casa Branca | Foto: Reprodução/X
O presidente dos EUA, Donald Trump, em entrevista a jornalistas na Casa Branca | Foto: Reprodução/X

Sob condição de anonimato, a fonte iraniana não detalhou o conteúdo da proposta nem confirmou se ela corresponde ao plano de 15 pontos dos EUA já mencionado por veículos internacionais.

O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, Rafael Mariano Grossi, afirmou que há chance de negociações entre Irã e Estados Unidos ocorrerem nos próximos dias no Paquistão. “Acredito que conversas possam acontecer neste fim de semana em Islamabad”, disse ao jornal italiano Corriere della Sera, sem detalhar o possível encontro.

Primeiro-ministro do Paquistão quer sediar negociações

Nesta terça-feira, 24, o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, declarou que o país está disposto a receber tratativas entre as partes, numa tentativa de reforçar seu papel com as lideranças envolvidas. “O Paquistão está pronto e honrado em sediar negociações significativas e conclusivas para uma solução abrangente do conflito em curso”, afirmou em publicação no X.

paquistão persegue cristãos
Bandeira do Paquistão | Foto de Hamid Roshaan na Unsplash/Reprodução

Nos bastidores, o comandante do Exército paquistanês, Syed Asim Munir, passou a atuar como principal interlocutor entre Washington e Teerã. De acordo com duas fontes com conhecimento da diplomacia, Islamabad teria repassado ao governo iraniano uma proposta de 15 pontos elaborada pelos Estados Unidos para encerrar a guerra no Oriente Médio.

O Paquistão tenta manter uma posição neutra no conflito. O país condenou os ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel contra o Irã sem citar diretamente Washington; reiterou compromisso de defesa com a Arábia Saudita, sem retaliar Teerã; e preservou canais de comunicação com autoridades iranianas, mesmo diante do bloqueio do Estreito de Ormuz, que afetou duramente a economia paquistanesa.

*Fonte: Revista Oeste