“PL e MDB são água e óleo”, diz Medeiros ao denunciar articulação que pode impactar projeto da direita em MT

O deputado federal e pré-candidato ao Senado José Medeiros (PL) fez duras críticas a uma possível articulação entre correligionários do Partido Liberal (PL) e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) em Mato Grosso, afirmando que a união entre as siglas pode comprometer o alinhamento ideológico do projeto conservador no estado.

Durante entrevista, Medeiros foi direto ao classificar a possível composição: “PL e MDB são água e óleo”. Segundo ele, a tentativa de construção de uma chapa envolvendo nomes do MDB pode gerar confusão no eleitorado e transmitir uma mensagem que, na prática, não se sustentaria após as eleições.

O parlamentar afirmou que há movimentações nos bastidores para incluir o MDB na chapa majoritária, o que, na avaliação dele, exigiria um endosso político que não condiz com a realidade. “Eu não posso atestar, chegar e fazer uma chapa com a deputada Janaína Riva e atestar pro eleitor: ‘olha, nós estamos aqui e nós vamos anistiar as pessoas, vamos soltar Jair Bolsonaro, vamos votar impeachment de ministro’. Eu fazer esse atestado, eu ter que dar um carimbo pra ela, que eu sei que não vai acontecer lá depois”, declarou.

Medeiros também comparou o cenário a situações anteriores na política nacional, citando o atual ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, ao afirmar que mudanças de posicionamento após eleições não são incomuns. “Favaro disse que não ia trair a confiança do povo mato-grossense, do agro e nem de Jair Bolsonaro. Quem é o Favaro hoje? Tá lá com o boné do MST”, afirmou.

Outro ponto levantado pelo deputado foi o custo político de uma aliança desse tipo. Ele destacou que, além da construção eleitoral, há fatores históricos e estratégicos que precisam ser considerados. “Qual é o lucro do PL numa composição com o MDB? […] Eu vou ter que trabalhar com o passivo da história da Janaína? Porque não tem como você descolar o CPF dela do pai. Eu vou ter que trazer esse desgaste pra chapa pra quê?”, questionou.

Janaina é filha do ex-deputado estadual José Riva que chegou a responder a mais de 100 ações na Justiça por improbidade administrativa, peculato e corrupção. Ele foi condenado a cinco anos, quatro meses e um dia de prisão em regime fechado pelos crimes de falsificação ideológica, integração à organização criminosa e delitos de peculato. De acordo com a decisão, assinada pelo juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, Riva era integrante de um esquema que desviou mais de R$ 1,8 milhão da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT).

Medeiros também afirmou que a possível composição pode estar sendo construída sem transparência, com definição próxima ao período das convenções partidárias, quando não há mais possibilidade de mudança de legenda. “Eu já sei que vão, na última hora, colocar o MDB na chapa. Então eu já estou deixando claro pro eleitor o que vai acontecer”, disse.

Ao longo da entrevista, ele ainda apontou que esse tipo de articulação pode atender a interesses específicos. “Uma armação dessa, uma construção dessa, só serve pra beneficiar uma questão familiar”, afirmou.

O debate ocorre em um estado onde o perfil do eleitorado é majoritariamente conservador. Mato Grosso é considerado um dos principais redutos da direita no país, com forte presença de pautas ligadas ao agronegócio, segurança pública e liberdade econômica.

TRAJETÓRIA DO MDB

Nesse contexto, Medeiros chama atenção para o histórico do MDB no cenário nacional. O partido, que surgiu como oposição ao regime militar, consolidou-se ao longo das décadas como uma legenda de centro, com atuação pragmática e presença em diferentes governos. A sigla integrou a base dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ambos do Partido dos Trabalhadores, participando diretamente da sustentação de pautas como ampliação de programas sociais, políticas de intervenção estatal e medidas econômicas conduzidas por essas gestões.

Além disso, o MDB ocupou a vice-presidência da República em diferentes momentos da história recente, compondo chapas com partidos de esquerda e centro-esquerda, o que reforça seu histórico de alianças amplas no espectro político.

No Congresso Nacional, parlamentares do MDB participaram de votações relevantes alinhadas a projetos de governos de esquerda, incluindo propostas de ampliação do papel do Estado na economia e programas de transferência de renda, pontos que frequentemente são criticados por setores da direita conservadora.

Diante desse histórico, a possível aproximação entre PL e MDB em Mato Grosso ocorre em meio a um cenário de disputa por identidade política e coerência ideológica. Para Medeiros, o momento exige clareza com o eleitor. “Então eu já estou dizendo bem claro agora: isso não está correto”, afirmou.

As articulações para as eleições de 2026 seguem em andamento, e a definição das alianças deve ter impacto direto na configuração das candidaturas ao Senado no estado.