Sicário obteve apurações sigilosas do BC e as enviou a Vorcaro

Banco Central havia enviado alerta ao Ministério Público Federal em 15 de julho de 2025, sobre irregularidades ligadas ao Master; entenda

Movimentações sigilosas envolvendo o executivo Daniel Vorcaro vieram à tona depois de um alerta do Banco Central (BC) ao Ministério Público Federal (MPF), em 15 de julho de 2025, sobre irregularidades ligadas ao Banco Master.

Nove dias depois, o ex-banqueiro teve acesso a documentos restritos do MPF, enviados por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, em 24 de julho. Os papéis detalhavam investigações sobre crimes financeiros e a compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB).

Segundo apuração do jornal O Globo, o sistema do MPF foi acessado indevidamente em 23 de julho, e no dia seguinte, Sicário encaminhou ao celular do banqueiro três procedimentos sigilosos. Entre eles, estava o que originou sua prisão pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em 17 de novembro de 2025.

Alerta do Banco Central (BC) para crimes financeiros

Sede do Banco Central (BC) do Brasil em Brasília | Foto: Raphael Ribeiro/BCB
Sede do Banco Central do Brasil, em Brasília | Foto: Raphael Ribeiro/BCB

O Banco Central notificou o MPF depois de identificar a “cessão de créditos inexistentes ao BRB, adquiridos pelo Banco Master”, o que configura crime financeiro. A legislação brasileira determina que BC e CVM comuniquem ao Ministério Público sempre que houver indícios de crimes de ação pública.

As investigações sugerem que Vorcaro e seus aliados procuravam nos documentos palavras como “Banco Master”, “Vorcaro” e “Nelson Tanure”. Este último seria sócio oculto da instituição, conforme apontamento da PF. A proximidade entre o alerta do BC e o vazamento dos arquivos reforçou a suspeita de acesso irregular a informações protegidas do MPF, Polícia Federal, FBI e Interpol.

De acordo com a Polícia Federal, Sicário tinha a função de obter dados confidenciais e monitorar adversários de Vorcaro. Além disso, atuava para neutralizar situações sensíveis ao grupo, inclusive removendo conteúdos de redes sociais. Vorcaro também mantinha contato com Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, ex-dirigentes do Banco Central. Decisão do ministro André Mendonça, do STF, afastou-os dos cargos.

*Fonte: Revista Oeste