Tesouro Nacional registra saldo negativo de R$ 60,4 bilhões no acumulado de 12 meses
O governo Lula encerrou o segundo mês de 2026 com um saldo negativo de R$ 30 bilhões. O resultado reflete a persistente dificuldade em equilibrar a fatura pública, embora o montante tenha ficado ligeiramente abaixo do rombo registrado no mesmo período do ano anterior, que foi de R$ 31,6 bilhões. Quando observado o intervalo dos últimos 12 meses, o prejuízo acumulado chega à marca de R$ 60,4 bilhões.
A composição do déficit de fevereiro revela que o Regime Geral de Previdência Social permanece como o principal gargalo, apresentando um buraco de R$ 22,4 bilhões. O Tesouro Nacional e o Banco Central, em conjunto, contribuíram para o saldo negativo com outros R$ 7,6 bilhões.
A aceleração dos custos operacionais do Estado foi um fator determinante para o desempenho de fevereiro. As despesas totais sofreram uma elevação real de 3,1%. Esse incremento foi puxado, sobretudo, pela expansão de R$ 5,4 bilhões em áreas em que o governo possui maior liberdade de manejo, as chamadas despesas discricionárias.
Dentro desse grupo, a educação demandou R$ 3,4 bilhões adicionais, com a conclusão de repasses para o programa “Pé-de-Meia“. A saúde também registrou um aumento de R$ 1,4 bilhão no itinerário de pagamentos do mês. Somam-se a isso os custos com pessoal e encargos sociais, que subiram R$ 2,2 bilhões devido aos reajustes salariais para servidores implementados em 2025. Na Previdência, o reajuste do salário mínimo e o maior contingente de segurados elevaram o custo em R$ 1,7 bilhão.
Arrecadação sob efeito de decretos
Pelo lado das receitas, o governo obteve um ingresso líquido de R$ 153,1 bilhões em fevereiro, uma alta real de 5,6% ante o ano passado. O desempenho foi sustentado por alterações tributárias, como o aumento na cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras via Decreto 12.499/2025, que rendeu R$ 2,3 bilhões extras. Outros R$ 2,3 bilhões vieram da Cofins, que reflete o consumo.
Entretanto, a gestão Lula enfrentou uma queda de R$ 1 bilhão em dividendos e participações recebidos. O recuo ocorreu logo que o Banco do Nordeste cessou repasses feitos anteriormente e a Petrobras reduziu o volume de lucros distribuídos à União. O Imposto de Renda e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido também apresentaram retração de R$ 701 milhões e R$ 671 milhões, respectivamente.
Balanço do primeiro bimestre
Com a conclusão dos dados de janeiro e fevereiro, o governo central ostenta um superávit acumulado de R$ 56,9 bilhões no primeiro bimestre de 2026. No entanto, esse saldo positivo deve-se exclusivamente ao desempenho de janeiro, logo que o Tesouro e o Banco Central acumulam R$ 99,9 bilhões no verde, enquanto a previdência social já amarga um déficit bimestral de R$ 43,1 bilhões.
O aumento real da despesa acumulada no ano atinge 3%, mantendo-se ligeiramente acima do avanço da receita líquida, que cresceu 2,8% no mesmo intervalo. A estratégia arrecadatória tem dependido de depósitos judiciais e ingressos via transação tributária para atenuar a queda na arrecadação com exploração de recursos naturais, prejudicada pela valorização do real e pela menor cotação do petróleo no mercado internacional.
*Fonte: Revista Oeste