CGU investiga ex-gestores do Banco Central por suspeita de ligação com Vorcaro

Processos contra Paulo Sérgio de Souza Neves e Belline Santana podem resultar na expulsão de ambos do serviço público

Depois de surgirem suspeitas sobre pagamentos mensais do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, a servidores do Banco Central (BC), a Controladoria-Geral da União (CGU) aguarda acesso aos dados da investigação da Polícia Federal (PF) para aprofundar as apurações administrativas contra dois ex-gestores do órgão.

Os processos contra o ex-diretor de Fiscalização Paulo Sérgio de Souza Neves e o ex-chefe de Supervisão Bancária Belline Santana podem resultar na expulsão de ambos do serviço público, caso as suspeitas se confirmem. Ambos foram afastados em janeiro pelo Banco Central, que realizou uma análise interna antes de encaminhar o caso à CGU.

Relações com Vorcaro e indícios de corrupção

Daniel Vorcaro Bradesco
O ex-dono do Master, Daniel Vorcaro | Foto: Divulgação/ Banco Master

Segundo a Polícia Federal, os dois servidores atuaram como “consultores informais” de Vorcaro e receberam benefícios ilícitos para dificultar investigações sobre o banco do empresário, atualmente preso e em negociação de delação premiada. A CGU solicitou o compartilhamento dos dados da PF, pendente de autorização do ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF).

Uma das suspeitas envolve a venda por Paulo Sérgio Neves de uma fazenda de café por R$ 3 milhões a um fundo de investimentos. O negócio teria vínculo com o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel. Em março, Mendonça afirmou que Paulo Sérgio se comportava como “uma espécie de empregado/consultor” em assuntos privados do ex-banqueiro.

O ministro Mendonça escreveu que “nas mensagens de WhatsApp trocadas entre Daniel Vorcaro e Belinne Santana, também servidor do BC, percebe-se o mesmo tipo de relação que aquela verificada com Paulo Sérgio”. Ainda segundo ele, existem “fortes indícios” de que Vorcaro auxiliou Paulo Sérgio em uma viagem à Disney, nos Estados Unidos.

O magistrado relatou que “além de tais pagamentos, outro forte indício de que Vorcaro corrompia Paulo Sérgio pode ser identificado a partir de troca de mensagens realizadas por Vorcaro, ao saber, por meio de mensagem de WhatsApp do próprio Paulo Sérgio, de uma viagem que o referido servidor do Banco Central faria aos parques de diversão localizados em Orlando (EUA), dentre eles Parques da Disney e da Universal”. “Vorcaro chega a comentar em mensagem (…) que precisaria ‘arrumar guia para essas pessoas’”, relatou Mendonça.

Troca de informações e possíveis consequências

De acordo com a Polícia Federal, Vorcaro buscava orientações de dirigentes do Banco Central sobre reuniões institucionais e elaboração de documentos estratégicos. Em uma conversa, o banqueiro chegou a parabenizar Paulo Sérgio por assumir um cargo de chefia no órgão.

Mendonça também afirmou que Paulo Sérgio teria repassado a Vorcaro informações internas do Banco Central sobre movimentações financeiras suspeitas. Assim, o magistrado vê fortalecimento nos indícios das irregularidades investigadas.

*Fonte: Revista Oeste