O Ministério da Justiça tenta trazer a ex-deputada de volta para cumprir pena
O governo brasileiro vai manter a pressão sobre o Judiciário da Itália para conseguir a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli. A nova tentativa de repatriação foca na condenação da política por perseguir um jornalista armado pelas ruas de São Paulo na véspera do segundo turno das eleições de 2022. O tribunal de Roma agendou a próxima audiência do caso para o dia 1º de julho.
A Justiça brasileira aplicou uma pena de cinco anos de reclusão contra a ex-parlamentar pelos crimes de porte ilegal e constrangimento ilegal com o uso de armamento. Atualmente, a ex-deputada aguarda o desfecho do processo em liberdade na capital italiana. Ela deixou as celas da penitenciária feminina de Rebibbia, localizada nos arredores de Roma, onde permaneceu encarcerada por quase um ano.
Itamaraty vê chances nulas em processo sobre invasão do CNJ
Segundo a CNN, a cúpula da gestão petista reconhece os limites diplomáticos e já descarta qualquer chance de reviravolta em um segundo pedido de extradição que tramitava na Europa. Esse processo paralelo envolvia a acusação de invasão hacker aos computadores do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Os magistrados italianos travaram o envio da brasileira por enxergarem parcialidade nas decisões tomadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A palavra final sobre a acusação de invasão cibernética cabe ao ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio. Integrantes do governo brasileiro admitem nos bastidores que o chefe da pasta europeia deve manter o entendimento dos juízes e negar o pedido de repatriação de forma definitiva.
Nova estratégia foca em crime comum para evitar veto político
Os negociadores do governo federal acreditam que o caso da perseguição armada possui um cenário jurídico diferente e mais favorável à punição. Na análise dos técnicos do Ministério da Justiça, o crime contra o jornalista não abre margem para alegações de perseguição política ou parcialidade do STF.
A equipe jurídica do Executivo trabalha para dissociar a imagem de Zambelli de supostos debates ideológicos durante as sessões do tribunal em julho. O plano consiste em tratar o episódio estritamente como um crime comum de trânsito urbano para convencer as autoridades italianas a carimbarem o passaporte de retorno da ex-deputada para o sistema prisional do Distrito Federal.
*Fonte: Revista Oeste