Major da PM foi preso com amigo de tesoueiro do CV-MT

Ambos pagam fiança de R$ 5 mil e ganham liberdade

O juiz federal Paulo Cézar Alves Sodré concedeu liberdade provisória ao major da Polícia Militar de Mato Grosso, Pedro Henrique Silva Garcia, e a outros dois homens presos em flagrante pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), na última terça-feira (3), durante o transporte de medicamentos e substâncias de origem suspeita, em Cuiabá. Cada um deverá pagar fiança de R$ 5 mil e cumprir medidas cautelares determinadas pela Justiça.

Entre os produtos apreendidos estavam medicamentos como Mounjaro, anabolizantes, esteroides e outras canetas emagrecedoras. Após a abordagem, os três foram encaminhados à sede da Polícia Federal, na Avenida Historiador Rubens de Mendonça, na Capital. Além do major Pedro Henrique Silva Garcia, foram presos Felipe Alifer Leocadio da Rosa e Mario Henrique Tavito da Silva. Eles são investigados por suspeita de crimes relacionados à importação irregular de medicamentos e contrabando.

A decisão que homologou as prisões em flagrante e concedeu liberdade provisória estabeleceu que os investigados deverão comparecer a todos os atos para os quais forem intimados, manter endereço e telefone atualizados e comunicar previamente eventual mudança de residência. Também não poderão permanecer fora de casa por mais de oito dias sem informar à Justiça onde poderão ser encontrados. 

No despacho, assinado na quarta-feira (4), o magistrado também determinou que a prisão de Mario Henrique Tavito da Silva fosse comunicada, com urgência, à 7ª Vara Criminal de Cuiabá. O objetivo é permitir que a Justiça Estadual avalie eventual descumprimento das medidas cautelares que já haviam sido impostas ao investigado em outro processo.

O pedido foi feito pelo Ministério Público Federal (MPF), que informou que Mario Henrique responde a um procedimento na Justiça Estadual e cumpre medidas cautelares determinadas pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), após a concessão de habeas corpus. Mario Henrique foi alvo da Operação Apito Final, deflagrada em 2024 para investigar um esquema de lavagem de dinheiro ligado de faccionados do Comando Vermelho (CV) em Mato Grosso. Ele é apontado como suspeito de integrar a organização criminosa.

As investigações também envolveram Paulo Witer Farias Paelo, conhecido como WT, apontado pela polícia como tesoureiro-geral da facção no Estado e homem de confiança de Sandro Louco. Segundo a Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), da Polícia Judiciária Civil, ele teria utilizado o time de futebol amador “Amigos do WT” para lavar dinheiro do crime organizado.

De acordo com a investigação, Paulo Witer também recorria a amigos, familiares e advogados como supostos “laranjas” para adquirir imóveis, comprar e vender veículos e realizar locações de automóveis.  Outro ponto citado nas apurações envolve um empréstimo de R$ 116 mil contratado por Mario Henrique junto ao Sicoob, em agosto de 2023. Na ocasião, ele teria oferecido um Toyota Corolla como garantia por meio de alienação fiduciária. O veículo foi apreendido durante a Operação Apito Final, no início de 2024, impedindo a cooperativa de dispor do automóvel, inclusive para eventual venda. 

Em nota, a Polícia Militar de Mato Grosso informou que a Corregedoria-Geral instaurou sindicância para apurar a conduta do major Pedro Henrique Silva Garcia, detido pela PRF por suspeita de contrabando e descaminho. A corporação afirmou que o militar passou pelos procedimentos cabíveis e aguardava audiência de custódia. O caso também será investigado criminalmente pela Polícia Federal.

*Fonte: FolhaMax