Indústria brasileira recuou 0,8%, na comparação mensal, e 2,5%, na base anual, frustrando projeções do mercado
A produção industrial brasileira fechou o mês de setembro em queda, em um resultado pior que o esperado, de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira, 5, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM), a indústria do país recuou 0,8% em setembro, na comparação com agosto, depois de já ter caído 0,7% no mês anterior (dado revisado).
Já em relação a setembro do ano passado, a produção industrial registrou queda ainda maior, de 2,5%. No acumulado dos nove primeiros meses de 2026, o setor tem alta de 0,4% e, nos últimos 12 meses até setembro, de 0,2%.
Ainda de acordo com o IBGE, a média móvel trimestral do setor industrial teve baixa de 0,5% em setembro.
O resultado de setembro veio abaixo da média das estimativas do mercado, que apontavam para uma queda de 0,2% no período (na base mensal) e de 1,7% (anual).
Maior parte das categorias pesquisadas recuou em setembro, diz IBGE
O levantamento do IBGE mostra que, entre agosto e setembro, três das quatro grandes categorias econômicas e 17 dos 25 ramos industriais pesquisados registraram queda na produção industrial.
Entre as atividades, as influências negativas mais significativas foram de produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-4,2%) e produtos alimentícios (-1,7%).
Outros impactos negativos sobre o resultado geral da indústria foram de veículos automotores, reboques e carrocerias (-1,2%), máquinas e equipamentos (-2,1%), produtos de minerais não metálicos (-2,6%) e produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-3,1%).
Por outro lado, entre as seis atividades que registraram crescimento em setembro, a maior influência na média geral veio de indústrias extrativas (1,7%). Também houve contribuições positivas expressivas em produtos químicos (1,7%) e produtos do fumo (20,3%).
Análise
Segundo Matheus Pizzani, economista do PicPay, “a dinâmica observada em setembro consolida o processo de deterioração da trajetória da atividade econômica do setor industrial”, um movimento que já ocorria havia meses “e que ainda não havia se estabelecido como tendência em função do surgimento de oportunidades pontuais de promoção de crescimento de curtíssimo prazo”.
“O fim do período sazonalmente positivo para a produção e comercialização de alimentos, combinado com o esgotamento da capacidade de contração de novas dívidas de longo prazo por parte das famílias, gerou uma reversão forte o bastante para garantir que nem o excelente desempenho do setor de petróleo fosse suficiente para impedir duas quedas em sequência da produção industrial”, afirma Pizzani.
Para o economista, a tendência é que este comportamento se repita nos últimos meses do ano, “com probabilidade não desprezível de que o setor industrial encerre 2026 com taxa de variação no campo negativo”. “O dado de hoje deve reverberar ainda no PIB do terceiro trimestre, que se aproxima cada vez mais de uma estagnação, com os indicadores do setor de comércio varejista e serviços ganhando ainda mais peso na atual conjuntura”, conclui.
Fiesp se manifesta
Por meio de nota, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) afirmou que “a indústria de transformação perdeu fôlego desde o 2º trimestre e não mostra perspectiva de retomada”. “O crescimento da indústria em 2026 deverá vir da indústria extrativa, puxada por petróleo, minério de ferro e gás natural”, projeta a entidade.
Segundo a Fiesp, “juros altos, crédito caro e famílias endividadas pesam sobre a transformação”. “Mesmo após cinco cortes, a Selic está em 13,75% ao ano, e a inadimplência e o endividamento das famílias estão em níveis recordes. Ao mesmo tempo, a guerra no Oriente Médio e as tarifas dos Estados Unidos agravam o quadro. Com isso, a fraqueza deixou de se limitar aos setores mais dependentes de crédito e já se espalha às demais atividades manufatureiras”, diz a federação industrial.
“Os indicadores de outubro, como o Índice de Confiança da Indústria (FGV IBRE) e o Sensor (Fiesp), apontam que a fraqueza deve continuar nos próximos meses. Diante desse cenário, a Fiesp reduziu de 1,4% para 0,4% a projeção de crescimento da produção industrial em 2026. A extrativa deve crescer 5,3%, enquanto a transformação deve cair 0,4%. Para 2027, a projeção é de nova queda da transformação (-0,1%), o que seria o terceiro ano seguido de retração do setor”, diz a nota.
*Fonte: Revista Oeste