Conforme o governador de São Paulo, proximidade com essas nações pode representar riscos, em razão da fragilidade das economias
Durante o 13º Fórum de Lisboa, nesta sexta-feira, 4, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, avaliou que uma aproximação do Brasil com as nações do Sul Global pode representar riscos elevados ao país, em razão das fragilidades dessas economias.
Tarcísio argumentou que a principal vulnerabilidade dos países do Sul Global está relacionada à ausência de instituições democráticas sólidas. Isso, em sua visão, poderia afastar grandes investidores e limitar o acesso do Brasil aos mercados mais relevantes do mundo.
“A gente está falando de países que têm uma grande fragilidade, que é justamente a fragilidade democrática, a falta de democracia”, disse o governador. “E isso, talvez, nos afaste dos maiores investidores e dos melhores mercados. É como se a gente tivesse um estoque de capital gigantesco para competir e a gente estivesse restringindo as nossas possibilidades a uma parcela muito ínfima, muito pequena deste capital.”
Tarcísio fala sobre democracia e impacto nos investimentos

O painel, que discutiu relações internacionais e novos blocos militares, foi moderado por Raul Jungmann. O diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração apresentou Tarcísio como possível candidato à presidência e recebeu aplausos dos presentes.
Apesar de reconhecer que esses países reúnem a maioria da população global e quase metade da economia mundial, Tarcísio destacou que o alinhamento com governos que se distanciam das práticas recomendadas pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) pode afastar investimentos essenciais.
“Se eu pensar em aspectos econômicos e em aspectos populacionais, a gente está falando de uma relevância maior do que a dos países do G7”, disse. “Mas, quando a gente se alinha a países que têm essa ordem de fragilidade, essa ordem de governança que se afasta de algumas práticas daquelas que são preconizadas pela OCDE, a gente vai ficando distante de uma parcela relevante de investimento e isso é extremamente perigoso.”
Em sua fala, o governador também mencionou as atuais disputas econômicas entre Estados Unidos e China. Ele sugeriu que o Brasil deve manter a tradição diplomática de neutralidade e priorizar seus próprios interesses. “Acho que a gente tem que fazer o que a diplomacia brasileira sempre fez: se pautar pela neutralidade e olhar o interesse nacional”, afirmou Tarcísio. “Porque não existe amizade entre países, existe interesse.”
Ao abordar a situação fiscal, o governador minimizou o risco para o Brasil e afirmou que o país conhece as soluções necessárias para enfrentar o desafio. “A fórmula é conhecida, para que a gente possa equacionar a questão fiscal”, explicou. “O Brasil passou por reformas muito relevantes nos últimos anos. E, no final, a gente criou as condições-base para ter uma economia relativamente arrumada.”
O evento, conhecido como “Gilmarpalooza” — referência ao ministro do STF Gilmar Mendes, anfitrião do fórum, e ao festival Lollapalooza —, reuniu diversas entidades organizadoras, incluindo o Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), o Lisbon Public Law, da Universidade de Lisboa, e a Fundação Getulio Vargas (FGV Conhecimento).
*Fonte: Revista Oeste