Gleisi e Alckmin voaram com empresa investigada por relação com o PCC

Deslocamentos ocorreram em meio a compromissos políticos e foram bancados por siglas da base aliada do governo Lula

O Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Socialista Brasileiro (PSB) contrataram voos da Táxi Aéreo Piracicaba (TAP) para transportar, respectivamente, a ministra Gleisi Hoffmann e o vice-presidente, Geraldo Alckmin, em agendas institucionais. O portal Poder360 divulgou as informações nesta quinta-feira, 18.

A Polícia Federal (PF) investiga a empresa por suposto envolvimento no transporte de líderes ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Em 24 de outubro de 2022, o PSB pagou R$ 50 mil para fretar um voo que levou Alckmin de São Paulo a Alfenas e Lavras, no sul de Minas Gerais. Ele retornou à capital paulista com a companhia no dia seguinte.

Já em 16 de maio de 2023, o PT desembolsou mais de R$ 108 mil para transportar Gleisi em um roteiro político que começou em Pampulha (MG). O trajeto passou por Teófilo Otoni (MG) e Montes Claros (MG) e terminou em Brasília.

PSB e PT registraram as contratações e declararam os pagamentos de forma regular. Até o momento, os partidos não enfrentam nenhuma acusação de irregularidade no uso das aeronaves e afirmam que os voos ocorreram dentro da legalidade.

Depoimento liga empresa a transporte de foragidos

A PF, no entanto, apura a atuação da TAP no transporte de integrantes do crime organizado. Em depoimento, o ex-piloto Mauro Caputti Mattosinho disse que transportou dois foragidos em voos da companhia.

Segundo ele, Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, atuavam como operadores de um esquema de lavagem de dinheiro do PCC.

Mattosinho também afirmou que ouviu de seu chefe a informação de que o presidente do União Brasil, Antônio de Rueda, teria ligação com a propriedade de algumas aeronaves usadas pela companhia. Conforme ele, os aviões estariam registrados em nome de terceiros ou fundos de investimento para ocultar o verdadeiro dono.

Contudo, nenhuma evidência documental acompanhou o depoimento. Rueda, por sua vez, nega qualquer vínculo e argumenta ser alvo de “ilações”. A PF ainda não concluiu a investigação, que faz parte da Operação Carbono Oculto.

*Fonte: Revista Oeste