Nikolas Ferreira aponta aumentos e sigilo em gastos públicos: “O Estado está te roubando”

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) divulgou nesta quinta-feira (10) um vídeo em que lista OS números da gestão federal — do montante arrecadado em impostos a despesas com viagens, publicidade e contratos com influenciadores — e pede medidas de economia.

Ferreira abriu o vídeo citando que “somente este ano os brasileiros pagaram R$ 3 trilhões em impostos”. Esse patamar corresponde ao total acumulado de tributos (união, estados e municípios) que painéis públicos registram ao longo do ano. O Impostômetro — indicador mantido pela Associação Comercial de São Paulo — registrou a marca de aproximadamente R$ 3 trilhões em 2025, indicador amplamente usado para medir a pressão tributária no ano-calendário.

No vídeo, o deputado questiona por que, com tanta arrecadação, o país ainda não resolveu o saneamento básico: citou números sobre falta de rede e acesso à água. Relatórios e levantamentos técnicos apontam lacunas significativas no setor: estudos e sondagens internacionais realizados pela Braskem, apontam que cerca de 100 milhões de brasileiros não têm conexão adequada a redes de esgoto e que algo na ordem de 35 milhões não têm acesso a água tratada. Números que vêm sendo reiterados em análises setoriais e documentos sobre o novo marco do saneamento.

Outro dado importante apresentado pelo deputado é com relação aos gastos do chefe do executivo com viagens. Nikolas aponta que as contas do Palácio e ministérios neste quesito cresceram muito no atual governo e citou exemplos de gastos elevados em deslocamentos e diárias.

Levantamentos da imprensa que compilaram dados oficiais mostram aumento das despesas com viagens e diárias pela Administração federal desde 2023; reportagens jornalísticas oferecem séries históricas com valores por ano que confirmam elevação das rubricas relacionadas a deslocamentos oficiais.

Reportagem da Revista Veja do dia 7 de março de 2025.

Cartão corporativo: R$ 55,4 milhões (entre 2023 e parte de 2025)

No vídeo, Ferreira citou montantes elevados em cartões corporativos. Auditorias e reportagens que levantaram dados públicos mostram que, entre janeiro de 2023 e abril de 2025, a Presidência da República registrou gastos na ordem de R$ 55,4 milhões por meio de cartões corporativos — parcela considerável das quais tem classificação sigilosa, segundo levantamento de órgãos de controle.

Publicidade institucional: investimentos bilionários e repasses a grupos de mídia

O deputado também questionou o volume de recursos direcionados à comunicação institucional. Dados apurados indicaram aumento expressivo dos pagamentos publicitários do governo federal aos canais do Grupo Globo, um avanço reportado por levantamentos especializados.

Publicidade digital e influenciadores: Secom, agências e valores médios

Ferreira afirmou que o governo estaria contratando influenciadores por valores na ordem de R$ 20 mil por ação. Um levantamento do g1 mostra que a Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom) destinou R$ 69 milhões para ações na internet desde janeiro, aumento de 110% em relação ao valor gasto no mesmo período de 2024, quando o governo gastou R$ 33 milhões.

Com o objetivo de ampliar o alcance de suas campanhas e romper a barreira de comunicação nas redes sociais, a Secom intensificou a contratação de influenciadores digitais. A Secretaria adotou essa estratégia a partir de julho, depois de meses marcados por repercussão negativa de temas como a crise do Pix, elevação dos preços dos alimentos e denúncias de fraudes que envolvem o INSS.

Durante a gestão do deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), em 2024, o governo destinava 13,76% do orçamento de publicidade para o meio digital. Com a chegada de Sidônio Palmeira ao comando da Secom, em janeiro deste ano, essa fatia subiu para 25%. Na administração anterior, rádios de cidades pequenas e televisão recebiam maior parcela dos recursos.

Sidônio também contemplou o segmento cinematográfico com um acréscimo relevante de recursos, passando de R$ 1,1 milhão para R$ 2,1 milhões, crescimento de 93%. O aumento coincidiu com a conquista inédita do Oscar pelo longa “Ainda Estou Aqui”. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva parabenizou o diretor Walter Salles pela vitória em ligação telefônica.

Nas campanhas federais, as agências de publicidade contratadas pelo Palácio do Planalto são responsáveis por propor ações digitais além das tradicionais em rádio e TV. Os influenciadores são selecionados pelas quatro agências parceiras do governo, e não diretamente pela Secom.

Programas sociais e dependência de transferências

No vídeo, Nikolas lembrou que dezenas de milhões de pessoas se beneficiam de programas sociais e usou esse dado para criticar o uso eleitoral desses instrumentos. Mais de 94 milhões de brasileiros, o equivalente a 44% da população, dependem de algum tipo de programa social do Governo Federal. O número é comparável à população total do Egito, revelando a dimensão da política de assistência no país.

Grande parte desses beneficiários está registrada no Cadastro Único (CadÚnico), sistema que garante acesso a mais de 40 programas sociais. Entre eles, o destaque é o Bolsa Família, que concentra 57% dos 94 milhões de dependentes. O custo da rede de proteção social é expressivo: chega a R$ 500 bilhões por ano, valor equivalente a meio trilhão de reais.

Os dados foram revelados pelo Monitora MDS, ferramenta do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) que oferece informações, objetivos, metas e resultados alcançados das políticas públicas sociais.

Propostas de corte de despesas e iniciativas legislativas

Ferreira mencionou ainda a defesa de propostas legislativas que limitem despesas com publicidade, diárias e outras rubricas. Deputados e lideranças apresentaram projetos com medidas de contenção e tetos para essas despesas; alguns textos têm sido divulgados como alternativas para economizar recursos em 2026 e 2028. A eficácia e tramitação dessas propostas dependem de articulação partidária e votação em plenário.

Dados confirmam as críticas feitas pelo deputado, que defende o aumento do controle de gastos, a possibilidade de estabelecer limites e garantir a responsabilidade fiscal e a priorização da gestão da coisa pública.