Hospitais de Israel se preparam para receber reféns

Cidadãos passaram mais de 700 dias sob domínio de terroristas do Hamas

Depois de mais de 700 dias de cativeiro na Faixa de Gaza, 20 reféns devem ser libertados pelo grupo terrorista Hamas e encaminhados para atendimento em hospitais de Israel, que intensificam os preparativos para recebê-los.

O acordo de cessar-fogo entre Israel e Hamas, em vigor desde a sexta-feira 10, prevê a libertação dos sobreviventes e mobiliza equipes do Centro Médico Rabin, em Petah Tikva, além dos hospitais Sourasky e Sheba, localizados em Tel Aviv.

No sábado 11, profissionais do Rabin receberam a lista com os nomes dos reféns que chegarão ao local. Desde então, protocolos específicos foram elaborados para lidar com as consequências físicas e psicológicas do longo confinamento.

Experiências anteriores, em novembro de 2023 e janeiro de 2024, serviram de base para aprimorar os cuidados destinados a vítimas de sequestro prolongado.

Desafios para a equipe médica

Michal Steinman, chefe de enfermagem do Rabin, relatou à BBC que a equipe precisou desenvolver métodos inéditos para avaliar os reféns.

“Não existe um campo de medicina de cativeiro”, disse Michal. “Estamos inventando-o”. Ela detalhou dificuldades em interpretar exames laboratoriais, dizendo que os pacientes apresentaram alterações complexas.

Os reféns devem desembarcar de helicóptero e seguir direto para o 6º andar do hospital, onde encontrarão familiares. Nos resgates anteriores, os pacientes estavam em estado físico frágil, com sinais de violência e desnutrição.

Para garantir proteção e conforto, o hospital reúne características de hotelaria e assistência médica, além de privacidade durante a recuperação.

Reféns serão atendidos por 1,7 mil enfermeiros em Israel

Cartazes com os rostos dos reféns sequestrados pelo Hamas durante o ataque terrorista de 7 de outubro de 2023 são exibidos nas ruas de Jerusalém em 22 de dezembro de 2023 | Foto: José Hernandez/Shutterstock

O quadro profissional conta com 1,7 mil enfermeiros, grande parte deles voluntários para atuar no setor dos reféns, além de nutricionistas, psicólogos, assistentes sociais e diversos especialistas.

Michal destacou que a equipe precisou ajustar sua conduta: “Aqui você tem de dar mais espaço a eles. Você tem de decidir o que é urgente e o que pode esperar mais dois dias. Você tem de ser humilde e flexível, sem deixar de lado sua responsabilidade médica”, explicou.

Karina Shwartz, diretora de trabalho social do Rabin, ficará encarregada de facilitar o retorno dos reféns à vida comum. Ela ressaltou a importância de respeitar o tempo de readaptação dos sobreviventes.

“Não podemos falar sobre dois anos em uma semana. Os reféns precisam de espaço e tempo. Eles também precisam de silêncio. Temos de ouvir a história deles”, afirmou.

*Fonte: Revista Oeste