Lula comenta prisão de Zambelli na Itália: ‘Nem lembrava desse nome’

Em visita a Roma, petista minimizou prisão da deputada, explicou indicação ao STF e celebrou avanços nas negociações de paz entre Israel e Palestina

Durante visita oficial a Roma, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abordou de forma breve, nesta segunda-feira, 13, a situação da deputada Carla Zambelli (PL-SP), atualmente detida na Itália desde 29 de julho, depois de ter a extradição solicitada pelo Brasil.

O petista disse desconhecer a presença da parlamentar no país europeu e afirmou: “Nem lembrava desse nome”, em resposta à imprensa.

O comentário ocorreu depois de reunião de Lula na sede da FAO, organismo das Nações Unidas voltado à alimentação e à agricultura. “Se você não pergunta, eu nem saberia que ela estava aqui”, explicou. Ele também afirmou que Zambelli é “uma pessoa que não merece respeito de quem ama a democracia” e completou: “Ela vai pagar pelo que fez, aqui ou no Brasil, é uma questão de justiça”.

Condenação de Zambelli e carta ao governo italiano

Carla Zambelli se manifesta em vídeo | Foto: Instagram/Reprodução
Carla Zambelli se manifesta em vídeo | Foto: Instagram/Reprodução

Zambelli deixou o Brasil depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) a condenar a dez anos de prisão, por suposto envolvimento na invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com o auxílio de um hacker.

Na semana passada, ela enviou uma carta ao ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, na qual informou sobre o início de uma greve de fome. Na mensagem, divulgada em redes sociais, ela criticou uma suposta postura do ministro e classificou a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, como “injusta e sem provas”.

A deputada afirmou ainda que Nordio “está de mãos dadas com o próprio demônio”. Em outro trecho, Zambelli escreveu: “Verás por que me odeiam tanto e estão lhe usando para fechar um plano de vingança”, referindo-se ao seu papel no pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

Lula comenta indicação ao STF

Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, em alusão à matéria sobre os PMs que aguardam julgamento na Corte
Fachada do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília | Foto: Wallace Martins/STF

Na coletiva, Lula também foi indagado sobre a indicação ao STF, depois da antecipação da saída de Luis Roberto Barroso. O presidente afirmou não ter escolhido um nome até o momento, mas revelou buscar um perfil técnico, independente e comprometido com a Constituição.

“Eu quero uma pessoa gabaritada para ser ministro da Suprema Corte”, explicou. “Não quero um amigo, quero alguém que compreenda o papel de guardião da Constituição brasileira.”

O presidente disse ter sido surpreendido com a velocidade da saída de Barroso, mas garantiu que a escolha do novo ministro será feita de modo cuidadoso.

Em outro ponto da entrevista, Lula expressou satisfação com avanços rumo a um cessar-fogo entre Israel e Hamas. “Não se devolve a vida dos que morreram, mas se devolve o direito das pessoas de viverem tranquilas, sem medo de uma bomba”, afirmou.

Lula avaliou o progresso nas negociações como um “dia importante para a humanidade”. Ele sugeriu, ainda, que o entendimento pode influenciar na resolução de outros conflitos, como a guerra na Ucrânia. “Se o mundo foi capaz de resolver a questão de Israel e Palestina, também será capaz de acabar com a guerra da Ucrânia”, avaliou. “Essa guerra já cansou todo mundo.”

*Fonte: Revista Oeste