O acordo firmado com a Fundação Getúlio Vargas tem um valor de R$ 4,9 milhões e é válido até agosto de 2026
A Câmara dos Deputados, sob comando de Hugo Motta (Republicanos-PB), destinou R$ 4,9 milhões à Fundação Getúlio Vargas para impulsionar sua comunicação digital até agosto de 2026. O acordo, formalizado no início do mês, foi revelado pelo G1 e confirmado pelo jornal Folha de S. Paulo.
Este investimento busca reverter danos à imagem da Casa, prejudicada depois da aprovação da chamada PEC da Blindagem e de protestos realizados em setembro em todas as capitais, criticando a medida e também a possibilidade de anistia a condenados pelos atos do 8 de janeiro, tema em discussão no Legislativo federal.
A rejeição da medida provisória que propunha aumento de impostos reacendeu críticas do governo Luiz Inácio Lula da Silva e do partido ao Congresso. Segundo eles, o Parlamento protegeria “privilégios dos mais ricos em detrimento dos mais pobres”, agravando o desgaste político.
Durante cerimônia do Dia do Professor no Rio de Janeiro, na quarta-feira 15, Motta enfrentou vaias do público. Lula, presente ao evento, levantou-se para apoiar o deputado e tentar acalmar a plateia. No discurso, porém, o presidente criticou duramente o Congresso.
“Hugo é presidente desse Congresso e ele sabe que esse Congresso nunca teve a qualidade de baixo nível como tem agora”, disse Lula. “Aquela extrema direita que se elegeu na eleição passada é o que existe de pior”.
Os serviços contratados pela Câmara dos Deputados

A consultoria contratada prevê oficinas, mentorias, elaboração de manuais e entrega de relatórios mensais. Dois laboratórios serão implementados: um de inteligência artificial aplicada à comunicação, para auxiliar no planejamento, produção e acompanhamento de conteúdos, e outro voltado a audiovisual, direcionado à criação de vídeos e podcasts.
Entre as tarefas previstas, estão o desenvolvimento de estratégias para resposta a crises e o monitoramento das menções nas redes sociais, permitindo identificar a percepção do público e os temas de maior relevância a cada momento.
Na terça-feira 14, Motta também oficializou a política de comunicação social da Câmara, que estabelece diretrizes para os conteúdos institucionais. O documento busca aproximar a população, adotando linguagem clara e objetiva para explicar o funcionamento do processo legislativo.
As novas regras vedam que canais oficiais favoreçam opiniões políticas, transmitam informações sabidamente falsas ou distorçam declarações e imagens. A política exige comunicação imparcial, respeito à pluralidade política, equilíbrio, transparência e precisão nas publicações.
Dentre os objetivos está ressaltar “a importância do Parlamento para a democracia” e “fortalecer a imagem institucional por meio de informações que contribuam para o melhor entendimento dos atos e processos decisórios da Câmara”.
Reação diante da crise de imagem
No contexto da repercussão negativa da PEC da Blindagem, Motta buscou reverter a imagem da Câmara concedendo entrevistas e modificando as pautas do plenário, priorizando debates sobre segurança, educação, proteção de crianças e adolescentes, além de ampliar a isenção do Imposto de Renda.
No evento do banco BTG, em São Paulo, em 22, Motta declarou: “ver toda essa discussão ser distorcida não é correto”.
“Agora é chegado momento de tirarmos da frente todas essas pautas tóxicas. Talvez a Câmara tenha tido na semana passada a semana mais difícil e desafiadora, mas nós decidimos que vamos tirar essas pautas tóxicas porque ninguém aguenta mais essa discussão”, disse Motta. “O Brasil tem que olhar para frente.”
*Fonte: Revista Oeste