O posicionamento do governo sobre o acordo entre UE e Mercosul

Itamaraty e Ministério do Desenvolvimento afirmam que parceria cria maior zona de livre-comércio já negociada pelo bloco; Haddad e Tebet falam ganhos estratégicos

O governo brasileiro reconheceu oficialmente a decisão do Conselho da União Europeia de aprovar a assinatura do Acordo de Parceria entre o Mercosul e a UE, depois de mais de 26 anos de negociação. A manifestação ocorreu por meio de nota conjunta dos ministérios das Relações Exteriores (MRE) e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), divulgada nesta quinta-feira, 9.

Segundo o comunicado, a aprovação nas instâncias comunitárias europeias abre caminho para a assinatura do acordo, que deverá ocorrer em data e local ainda a serem definidos de comum acordo entre os países do Mercosul e da UE.

“O Acordo integrará dois dos maiores blocos econômicos do mundo, reunindo cerca de 720 milhões de pessoas e Produto Interno Bruto (PIB) de mais de US$ 22 trilhões de dólares. Trata-se do maior acordo comercial negociado pelo Mercosul e um dos maiores dentre aqueles pactuados pela União Europeia com parceiros comerciais”, informou.

Entre essas etapas está a análise pelo Parlamento Europeu, onde parlamentares críticos ao tratado já indicaram a intenção de contestar sua validade, especialmente em relação a impactos ambientais e concorrência no setor agrícola, o que pode prolongar o processo antes da implementação definitiva.

O avanço ocorreu depois de a maioria dos países da União Europeia ter sinalizado apoio ao texto, apesar das resistências manifestadas por governos como o da França e da Irlanda. Nos últimos meses, negociações paralelas buscaram oferecer garantias adicionais ao setor agrícola europeu, ponto sensível que havia travado o acordo em tentativas anteriores de assinatura.

Ministros comemoram acordo entre UE e Mercosul

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o “Acordo histórico, não apenas pelo seu significado econômico, mas sobretudo pelo significado geopolítico”. 

Para Haddad, o pacto sinaliza uma alternativa ao protecionismo crescente no cenário internacional: “Uma nova avenida de cooperação se abre nesse momento conturbado, mostrando um novo caminho de pluralidade e oportunidade”.

Na mesma linha, a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, afirmou que o acordo representa um divisor de águas para o multilateralismo. “Um marco histórico para o multilateralismo”, declarou. 

Segundo Tebet, o tratado amplia mercados, atrai investimentos e fortalece a integração produtiva. “Mais acesso a mercados consumidores, mais investimentos, mais integração entre os países e, principalmente, mais produtos disponíveis, maior competição, ajudando a baixar ainda mais a inflação.”

A ministra acrescentou que o acordo combina crescimento econômico, geração de empregos e renda com sustentabilidade, tecnologia e inovação.

Para o governo brasileiro, o avanço do acordo Mercosul–União Europeia reforça a estratégia de inserção internacional do país, amplia a previsibilidade jurídica e reposiciona o Brasil em um ambiente global marcado por disputas comerciais e tensões geopolíticas.

*Fonte: Revista Oeste