O que se sabe sobre o massacre no Irã

Jornal reconstrói 24 horas de repressão, mortes e censura de comunicações

Um levantamento do The Wall Street Journal descreve um período de 24 horas marcado por repressão armada, interrupção de comunicações e mortes em várias cidades do Irã. A reportagem, publicada nesta quinta-feira, 15, reúne depoimentos de testemunhas, profissionais de saúde e organizações de direitos humanos.

Segundo os relatos, a escalada começou no início da noite, quando protestos cresceram em diferentes regiões. Pouco depois, autoridades interromperam o acesso à internet e a serviços telefônicos. Testemunhas afirmam que a medida coincidiu com o início de disparos contra manifestantes.

“A vida seguia de forma normal até cerca das 20h, quando a internet foi cortada”, disse um médico em relato divulgado pelo Center for Human Rights in Iran. “Logo depois, comecei a ouvir tiros, gritos e explosões. No hospital, vi que o padrão das lesões mudou. Eram disparos a curta distância, muitos letais.”

Forças de segurança passaram a atuar com armamento pesado em áreas urbanas. Vídeos gravados durante o confronto mostram agentes com fuzis de uso militar e veículos circulando durante a repressão. Moradores relataram tiros contínuos e ordens para que as pessoas permanecessem longe de janelas.

Número de mortos no Irã ainda não foi consolidado

As organizações de direitos humanos locais ainda tentam consolidar o total de mortos e presos. Um grupo internacional afirma ter confirmado mais de 2,6 mil mortes e mais de 18 mil detenções desde o início dos protestos. Já as autoridades iranianas reconhecem números menores. As entidades dizem que a maioria das vítimas era de manifestantes, mas citam também mortes entre agentes do Estado.

Imagens analisadas por ONGs mostram necrotérios superlotados e corpos colocados em áreas externas por falta de espaço. Familiares relataram dificuldades para localizar parentes e restrições para a realização de velórios.

A resposta oficial endureceu. Lideranças do país classificaram os protestos como ações de inimigos externos e autorizaram o uso total da força. Mensagens enviadas a celulares alertaram pais sobre punições contra jovens envolvidos nos atos.

De acordo com pessoas ouvidas pela reportagem do Wall Street Journal, a repressão reduziu as manifestações em algumas cidades. O silêncio nas ruas passou a ser acompanhado por vigilância constante sobre famílias das vítimas, que seguem enterrando seus mortos sob restrições.

Esse foi o caso de Robina Aminian, estudante morta durante a repressão. Segundo familiares, agentes de segurança passaram a vigiar a mãe da jovem logo depois do enterro, o que a impediu de retomar a rotina. “A mãe não pode ir a lugar algum agora”, disse Nezar Minouei, tio da vítima, ao jornal. “Eles a seguem como uma sombra.”

*Fonte: Revista Oeste