Grupo terrorista classifica a medida como um ‘erro’ que beneficia Israel
O grupo terrorista Hezbollah oficializou nesta terça-feira, 17, sua rejeição à decisão do governo do Líbano de estabelecer um prazo de quatro meses para a segunda fase do plano nacional de desarmamento. A organização, que conta com o apoio do Irã, afirmou que não aceitará o cronograma, por considerar a iniciativa uma manobra que atende aos interesses de segurança de Israel. A tensão política escalou logo que ministros xiitas abandonaram a sessão do gabinete em protesto contra a medida.
O plano de colocar todas as armas sob controle estatal surgiu em agosto de 2025, com o objetivo principal de desarmar o Hezbollah após o conflito com Israel ocorrido entre 2023 e 2024. O ministro da Informação do Líbano, Paul Morcos, explicou que o Exército terá quatro meses para restringir armamentos em áreas estratégicas entre os rios Litani e Awali. O prazo pode ser renovado conforme as capacidades militares e os obstáculos encontrados em campo.
Críticas da liderança e impasse militar
O secretário-geral do Hezbollah, Sheikh Naim Qassem, criticou duramente a postura das autoridades libanesas em pronunciamento recente. O líder do grupo terrorista classificou o foco no desarmamento como um “grande erro” e alegou que o governo colabora com os objetivos da agressão israelense. O deputado Hassan Fadlallah reforçou a resistência à medida, sinalizando que a organização não será indulgente com tentativas de reduzir seu poder de fogo enquanto Israel mantiver ataques contra seus operativos.
A execução do plano enfrenta desafios logísticos significativos devido às capacidades limitadas do Exército libanês. Embora o gabinete tenha acolhido o relatório mensal das Forças Armadas sobre o controle de armas, o governo reconhece que os ataques em curso podem dificultar o progresso das operações. Israel, por sua vez, definiu o desarmamento do grupo terrorista como uma prioridade de segurança e insiste em que qualquer plano deve ser aplicado de forma eficaz, especialmente nas regiões próximas à fronteira.
Hezbollah representa ameaça à estabilidade e ao cessar-fogo
Autoridades israelenses argumentam que a manutenção de arsenais fora do controle do Estado libanês constitui uma violação direta do cessar-fogo e uma ameaça à região. O governo de Israel reiterou que continuará agindo para impedir que o Hezbollah se reconstrua ou receba novos carregamentos de armas. Para o Estado judeu, o controle militar efetivo do Líbano sobre todo o seu território é a única condição para evitar uma nova escalada de violência.
O impasse coloca o governo libanês em uma posição delicada entre as exigências internacionais por estabilidade e a resistência interna da organização terrorista. A rejeição ao cronograma de quatro meses sinaliza que a implementação da soberania estatal sobre o sul do país permanece incerta. O cenário atual sugere que a tentativa de centralizar o poder bélico no Líbano enfrentará obstáculos políticos e militares profundos nos próximos meses.
*Fonte: Revista Oeste