Conflito no Oriente Médio acende alerta no mercado mundial de petróleo

As principais petroleiras estão localizadas na região que enfrenta duros ataques

A guerra de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, iniciada 28 de fevereiro, levou à interrupção das exportações de petróleo e gás natural (GNL) no Oriente Médio.

Na imprensa internacional, especialistas preveem que os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita precisarão reduzir a produção em breve, conforme as reservas de petróleo se esgotam.

A Kuwait Petroleum Corporation começou a reduzir a produção de petróleo neste sábado, 7, em virtude da paralisação de exportações no Estreito de Ormuz. A Companhia Nacional de Petróleo de Abu Dhabi (ADNOC) afirmou, também neste sábado, que estava gerenciando os níveis de produção nas plataformas no mar para preservar a “flexibilidade operacional”.

Já o Iraque, que é o segundo maior produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo, precisou reduzir sua produção em quase 1,5 milhão de barris por dia (bpd) por causa da falta de capacidade de armazenamento e exportação.

No Curdistão iraquiano, várias empresas interromperam a produção em seus campos por precaução. A região exportou 200 mil barris por dia para a Turquia em fevereiro.

Da mesma forma, o Catar suspendeu as operações em suas instalações de GLN, em 2 de março, o que afetou algumas das maiores plantas do mundo e uma fonte que abastece cerca de 20% do gás natural global. A QatarEnergy também suspendeu parte das operações de downstream — etapa que inclui o processamento e a distribuição do gás — no dia seguinte.

A Arábia Saudita, maior exportadora de petróleo do mundo, suspendeu a produção na refinaria de Ras Tanura, com capacidade para 550 mil barris por dia, e passou a redirecionar o carregamento de petróleo bruto dos portos do leste para Yanbu, no Mar Vermelho. A instalação chegou a ser alvo de um novo ataque em 4 de março, mas, segundo o Ministério da Defesa saudita, não houve danos.

Por fim, Israel também reduziu parte de sua produção de petróleo e gás. A Guarda Revolucionária do Irã afirmou, neste sábado, que atacou uma refinaria israelense depois de uma instalação iraniana em Teerã ter sido atingida. Sirenes de alerta aéreo chegaram a soar na região de Haifa, mas não houve registro de danos.

Envio de petróleo

O tráfego no Estreito de Ormuz foi praticamente interrompido depois de o Irã atacar ao menos cinco embarcações, deixando apenas um número limitado de petroleiros em circulação. A rota é estratégica por concentrar cerca de 20% do fornecimento global de petróleo e GNL.

Neste sábado, a Guarda Revolucionária afirmou ter atingido um petroleiro com bandeira das Ilhas Marshall na região. A United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO) também relatou diversos ataques a embarcações desde 1º de março, incluindo um petroleiro próximo ao Kuwait e um navio porta-contêineres no próprio estreito.

Com o aumento dos riscos, seguradoras marítimas começaram a cancelar a cobertura contra riscos de guerra para navios que operam no Golfo Pérsico e em águas iranianas.

Impactos ao mercado consumidor

Em resposta, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a Marinha norte-americana poderia escoltar petroleiros pela região e que o governo oferecerá garantias financeiras para a navegação no Golfo.

No entanto, a crise já impacta grandes consumidores de energia. Na China, refinarias reduziram operações ou anteciparam manutenções por causa da interrupção no fluxo de petróleo.

A Índia passou a buscar fornecedores alternativos de petróleo bruto, GLP e GNL para evitar desabastecimento caso o conflito se prolongue.

Já a Indonésia planeja ampliar as importações de petróleo dos Estados Unidos para compensar a redução da oferta proveniente do Oriente Médio.

*Fonte: Revista Oeste