A mudança mais recente ocorreu da Penitenciária Federal de Brasília para a Superintendência da Polícia Federal (PF)
Em apenas 15 dias, o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, ocupou cinco diferentes unidades prisionais. A sequência de transferências reflete a sensibilidade do caso e o alto grau de exposição do suposto criminoso.
A mais recente ocorreu depois de decisão do ministro André Mendonça, relator do inquérito sobre o Master no Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a ida de Vorcaro da Penitenciária Federal de Brasília para a Superintendência da Polícia Federal (PF) na capital. Essa movimentação marca o início das tratativas para um acordo de delação premiada por parte do investigado.
Prisão de Vorcaro e suspeitas de interferência

Vorcaro foi detido novamente em 4 de março, em São Paulo, depois de a Polícia Federal identificar risco de interferência nas apurações. A investigação mostrou que ele e seus auxiliares acessaram sistemas da PF e do Ministério Público Federal (MPF), além de terem planejado ações para intimidar funcionários e jornalistas.
Depois da prisão, Vorcaro foi inicialmente para a sede da PF na Água Branca, na capital paulista. No mesmo dia, ele foi levado ao Centro de Detenção Provisória de Guarulhos, local onde também esteve preso em novembro de 2025. No dia seguinte, 5 de março, foi para a penitenciária estadual de Potim, a cerca de 170 quilômetros de São Paulo.
Na transferência para Potim, também foi enviado o cunhado do banqueiro, Fabiano Zettel, pastor e empresário apontado como operador financeiro do grupo. Ele havia sido preso em Belo Horizonte, enquanto Vorcaro era detido em São Paulo. Potim tornou-se destino de presos com destaque midiático, função anteriormente desempenhada por Tremembé, que já abrigou nomes como Roger Abdelmassih, Robinho e Ronnie Lessa.
Morte de investigado e reforço na segurança
A permanência de Vorcaro e Zettel no sistema estadual passou a ser questionada depois da morte de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, outro investigado na mesma operação. Ele morreu depois de duas tentativas de suicídio na Superintendência da PF em Belo Horizonte, tendo sido levado ao hospital, onde teve morte cerebral decretada dias depois.
Depois desse episódio, os senadores Magno Malta (PL-ES) e Eduardo Girão (Novo-CE) solicitaram ao ministro André Mendonça a transferência de Vorcaro e Zettel para uma penitenciária federal de segurança máxima. O pedido foi acolhido por Mendonça, atendendo também recomendação da PF, que destacou a influência de Vorcaro em setores público e privado, além da necessidade de garantir a integridade física do executivo e a efetividade da prisão preventiva.
Assim, Vorcaro permaneceu apenas uma noite em Potim antes de ser transferido em voo da PF para Brasília, vestindo uniforme prisional paulista. Já Zettel continuou detido no interior de São Paulo. Em Brasília, Vorcaro ficou em cela de nove metros quadrados ao lado do Complexo da Papuda, com previsão de 20 dias de adaptação antes de uma possível mudança para uma cela menor, de seis metros quadrados.
No entanto, antes de completar o tempo estipulado, Vorcaro foi transferido novamente, dessa vez de helicóptero, para a Superintendência da PF em Brasília, onde permaneceu depois de 13 dias no sistema federal. A mudança está ligada à negociação de sua colaboração premiada, conduzida pelo advogado José de Oliveira Lima, conhecido como Juca. Juca afirmou aos investigadores que seu cliente fará uma “delação séria” e não irá “poupar ninguém”.
*Fonte: Revista Oeste