Deputados e senadores falam em desproporcionalidade e tentativa de intimidação por parte do STF
Parlamentares e aliados do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), criticaram o pedido do ministro Gilmar Mendes para que ele seja incluído no Inquérito das Fake News no Supremo Tribunal Federal (STF). A reação ocorre depois da divulgação de vídeos satíricos com referências à Corte.
E se existisse um desenho animado sobre os intocáveis do Brasil? O primeiro episódio seria mais ou menos assim… pic.twitter.com/n5CFDP9Cyc
— Romeu Zema (@RomeuZema) February 23, 2026
Eles classificaram a medida como “desproporcional” e afirmaram que o inquérito tem sido usado como instrumento de pressão política. O caso foi encaminhado ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Oposição fala em abuso e tentativa de intimidação contra Zema
O deputado Carlos Jordy afirmou que o pedido representa uma tentativa de “censurar e calar” opositores. Segundo ele, a inclusão de Zema no inquérito por conteúdo satírico reforça críticas sobre limites da atuação do STF.
Gilmar Mendes pede que Moraes inclua Zema no inquérito das Fakenews por um vídeo postado numa sátira ao STF. Os tiranos não vão recuar! pic.twitter.com/BcmHiaBIF6
— Carlos Jordy (@carlosjordy) April 20, 2026
Já o partido Novo declarou que a investigação, aberta há sete anos, tem sido usada de forma indevida. A sigla disse que o caso “confirma” declarações de Zema de que autoridades seriam “intocáveis”.
Gilmar Mendes quer que @RomeuZema seja investigado no inquérito das fake news por uma sátira.
— NOVO 30 (@partidonovo30) April 20, 2026
Inquérito aberto por Toffoli há 7 anos e relatado por Moraes, que já enviou o pedido ao PGR Paulo Gonet, ex-sócio de Gilmar Mendes.
Confirma o que Zema disse: são intocáveis. https://t.co/buVIoWQPr7
O senador Eduardo Girão (Novo-CE) afirmou que a reação do Judiciário a um vídeo satírico é “ilegal” e “vergonhosa”. Em publicação nas redes, disse que o inquérito funciona como “uma espada na cabeça” de críticos do Supremo.
Ele também defendeu a ideia de que ministros não são “intocáveis” e devem ser investigados e sugeriu que o Senado poderia avançar com pedidos de impeachment contra integrantes da Corte.
ELES NÃO SE ACHAM DEUSES;ELES TEM CERTEZA! Na véspera de Tiradentes ainda cometem o erro de intimidar outro mineiro corajoso.Agora,via inquérito irregular q há 7 anos é uma espada na cabeça do brasileiro de bem…Mais um vergonhoso movimento dos “intocáveis”q não perceberem ainda… pic.twitter.com/mpUeyiUxsM
— Eduardo Girão (@EduGiraoOficial) April 20, 2026
O deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) classificou a medida como “absolutamente desproporcional e ilegal”. Em publicação nas redes sociais, ele afirmou que a reação do sistema a um vídeo satírico configura abuso.
Mais um abuso: olha a reação do sistema a um vídeo satírico, absolutamente desproporcional e ilegal. Imagina se, em vez de uma comédia, fosse um vídeo do Zema falando as verdades sobre Gilmar Mendes? Seria caso para pau de arara? Pena de morte?
— Marcel van Hattem (@marcelvanhattem) April 20, 2026
Mas não nos intimidaremos. Isso… pic.twitter.com/fzUgBna7Gl
Já o advogado Jeffrey Chiquini, também filiado ao Novo, afirmou que a medida configura abuso de poder por parte do STF.
🚨Gilmar aciona Moraes para perseguir Zema pic.twitter.com/UJYNevVXgX
— Jeffrey Chiquini (@JeffreyChiquini) April 20, 2026
Vídeo satírico motivou reação no STF
O pedido de Gilmar Mendes ocorre depois da circulação de vídeos críticos à Corte, criados com inteligência artifical e publicados nos perfis de Zema. O material teria motivado a solicitação para inclusão do governador no inquérito relatado pelo ministro Alexandre de Moraes.
O Inquérito das Fake News foi aberto em 2019 por decisão do então presidente do STF, Dias Toffoli, e segue em tramitação na Corte.
*Fonte: Revista Oeste