Consultora teria usado 12 contas em nove bancos
A decisão do ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que autorizou a Operação Tomada de Contas, da Polícia Federal, revela que o consultor jurídico-geral do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, recebeu R$ 32,3 milhões em pagamentos suspeitos e abriu uma empresa de criação de cavalos que, segundo a decisão, estaria sendo usada para ocultar dinheiro. A decisão ainda autorizou a prisão preventiva do presidente da Corte de Contas, Sérgio Ricardo, da secretária Executiva do Tribunal de Contas, Roseli Loss, os servidores Felipe José Glinke e Adriangelo Barros Antunes e Gustavo Fernandes da Silva.
De acordo com o documento, Grhegory recebeu R$ 32.310.120,43, dos quais R$ 31.644.860,90 teriam sido depositados por meio de 179 ordens bancárias avulsas, distribuídas em 12 contas de nove instituições financeiras. No mesmo período, seu patrimônio teria aumentado de R$ 1,84 milhão, em janeiro de 2025, para R$ 7,61 milhões em outubro daquele ano.
Conforme consta na decisão, Grhegory ocupava uma posição estratégica na movimentação financeira investigada. “Os elementos reunidos indicam que Grhegory Paiva Pires Moreira Maia ocupa posição central no fluxo financeiro investigado, não se tratando de uma posição acessória ou periférica”, escreveu Og Fernandes.
MOCHILA
A decisão também destaca imagens obtidas pela Polícia Federal em uma agência bancária. Em uma delas, Grhegory aparece guardando blocos de dinheiro em uma mochila depois que uma funcionária preparou o numerário. “As imagens analisadas pela Polícia Federal também o situam em episódios relacionados à retirada e à movimentação de numerário, circunstância que vai além da condição de simples beneficiário dos valores investigados, sendo certo que, em um desses episódios, Grhegory Paiva Pires Moreira Maia aparece acondicionando blocos de dinheiro em uma mochila após a preparação do numerário por funcionária da agência”, descreveu o ministro.
A Maia Reining Horses Ltda, foi constituída por Grhegory em 22 de julho de 2025. A empresa tem como atividade a criação de cavalos e o comércio de embriões e sêmen.
Para o ministro, a atividade empresarial e da falta de preços públicos de referência para esse mercado levantava suspeitas. “De maneira semelhante, a sociedade Maia Reining Horses Ltda , também constituída por GRHEGORY PAIVA PIRES MOREIRA MAIA, estaria sendo utilizada para ocultar os valores, já que constituída em 22/7/2025, com objeto social a criação de cavalos e comércio de embriões e sêmen, não havendo preço de referência pública”, traz trecho.
A decisão também cita a holding familiar G.P.P.M.M. Participações e Empreendimentos Ltda, que teria recebido aportes de recursos destinados ao consultor. Conforme o documento, a empresa era administrada pela sogra de Grhegory e, antes disso, pela esposa de Gustavo Fernandes da Silva, outro investigado.
O ministro ressaltou ainda que Grhegory, na condição de consultor jurídico-geral do TCE, atuou em processos no Supremo Tribunal Federal envolvendo verbas indenizatórias destinadas aos membros da Corte de Contas. Apesar de exercer a função jurídica no órgão, ele aparece na investigação como destinatário de valores sob suspeita.
Og Fernandes destacou a posição atribuída ao consultor no esquema investigado. “Assim, entendo que as medidas cautelares diversas da prisão não impedem eventual interferência na produção probatória, especialmente se considerado que a investigação ainda prossegue em relação a pessoas que não constam como requeridas nesta medida cautelar de prisão preventiva, devendo ser destacado que esse investigado é apontado como o principal destinatário dos pagamentos e articulador jurídico e financeiro”, afirmou.
*Fonte: FolhaMax