Dólar cai depois de BC manter juros inalterados; Ibovespa opera em alta

Investidores repercutem decisão já esperada do Copom de não mexer na básica de juros, atualmente em 13,75% ao ano

O dólar operava em leve queda na manhã desta quinta-feira, 5, um dia depois de o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) interromper o ciclo de cortes na taxa básica de juros e manter a Selic em 13,75% ao ano. 

No início do pregão, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), operava em alta. A manutenção dos juros básicos da economia nesse patamar era esperada pela maioria dos analistas do mercado financeiro e reflete uma posição cautelosa da autoridade monetária, que deixou uma “porta aberta” para a eventual retomada da flexibilização dos juros. 

Dólar

  • Por volta das 10h55 (pelo horário de Brasília), o dólar operava em baixa de 0,33% frente ao real e era negociado a R$ 5,434. 
  • Na cotação máxima do dia até aqui, a moeda norte-americana bateu R$ 5,473. A mínima é de R$ 5,427. 
  • Na véspera, o dólar encerrou a sessão em queda de 0,64%, cotado a R$ 5,451. 
  • Com o resultado, a moeda dos Estados Unidos acumula valorização de 0,14% em novembro e perda de 0,67% em 2026. 

Ibovespa

  • O Ibovespa, principal indicador do desempenho das ações negociadas na B3, operava no azul no início do pregão desta quinta-feira. 
  • Às 10h55, o índice avançava 0,73%, aos 168.786,79 pontos. 
  • No dia anterior, o Ibovespa fechou em alta firme de 1,23%, aos 167,5 mil pontos. 
  • Com o resultado, a Bolsa de Valores do Brasil acumula baixa de 0,21% no mês e alta de 4% no ano. 

Copom terá mais uma reunião em 2026

O ciclo de queda da Selic, interrompido nesta quarta-feira, começou em março deste ano, sempre com cortes de 0,25 ponto porcentual a cada reunião. Naquela ocasião, o Copom promoveu o primeiro corte de juros desde 2024.

A taxa básica de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para controlar a inflação. Quando a autoridade monetária mantém os juros elevados, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que se reflete nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem conter a atividade econômica.

Depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 25 de outubro, houve uma reversão das expectativas dos analistas. Se antes a maioria esperava um novo corte de 0,25 ponto porcentual da Selic, agora cerca de 70% do mercado já trabalhava com a possibilidade de o Copom interromper o ciclo de queda dos juros e manter a taxa no patamar atual, o que acabou se confirmando.

A reunião do Copom concluída nesta quarta-feira foi a primeira depois do encerramento do processo eleitoral no Brasil. O primeiro turno das eleições aconteceu no dia 4 de outubro, e o segundo, em 25 de outubro. Contrariando a maioria das projeções do mercado e das pesquisas, Lula derrotou o senador Flávio Bolsonaro (PL) e foi reeleito.

A próxima reunião do Copom, a oitava do ano, está marcada para os dias 8 e 9 de dezembro. Será o último encontro da autoridade monetária para definir a taxa básica de juros em 2026.

Análise

Segundo Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, o movimento de alta do Ibovespa no início do pregão reflete a reação inicial do mercado à decisão do Copom sobre a taxa de juros. “A manutenção da Selic inalterada em 13,75% ao ano veio em linha com as expectativas dos agentes financeiros, ajudando a trazer certa estabilidade ao início dos negócios”, observa. 

No cenário doméstico, explica Nossig, os investidores também voltam suas atenções à temporada de balanços corporativos referentes ao terceiro trimestre de 2026. “Resultados de empresas de grande peso no índice, como o balanço positivo do Itaú, além de números importantes de companhias do setor de varejo, construção e energia, ajudam a ditar o ritmo das compras na bolsa”, afirma. 

“O panorama internacional oferece suporte adicional para a recuperação da Bolsa brasileira nesta abertura”, prossegue Nossig. “Os mercados globais operam tentando sustentar o bom humor enquanto digerem os desdobramentos das eleições nos EUA e aguardam a divulgação de novos dados sobre o mercado de trabalho norte-americano, fundamentais para traçar o futuro da política monetária daquele país”, explica. 

“Refletindo esse ambiente externo mais propenso ao risco, o dólar comercial iniciou a sessão em queda frente ao real, interrompendo momentaneamente as fortes pressões de alta registradas nos pregões anteriores”, conclui Nossig.

*Fonte: Revista Oeste